Moops’ Coup – Parte 5, MCMXXXVII

1º Amigo (bebendo “cognac” e soda, debaixo das árvores, num terraço, à beira de água)

Camarada, por estes calores do Estio, que embotam a ponta da sagacidade, repousemos do áspero estudo da Realidade humana… Partamos para os campos do Sonho, vaguear por essas azuladas colinas românticas onde se ergue a torre abandonada do Sobrenatural, e musgos frescos recobrem as ruínas do Idealismo…

Façamos fantasia!…

2º Amigo

Mas sobriamente, camarada, parcamente!… E como nas sábias e amáveis Alegorias da Renascença, misturando-lhe sempre uma Moralidade discreta…

(Eça)

O processo é mais rápido que minha necessidade de férias. Portanto, salto duas partes (3;2 e 4) que ainda não estão prontas. Por sorte a realidade antecede a arte, e o que era apenas uma obscenidade na imaginação deste esquerdista pragmático hoje é um exuberante caso político.

Se tomarmos a pílula azul, o impeachment acontece.

Retirada a possibilidade do retorno de Dilma, o Fora Temer vira uma avalanche como a campanha das Diretas. Ninguém que dependa de voto quer Temer por perto. Uma vez presidente, ele será o maior cabo eleitoral da oposição na eleição municipal que se aproxima. Esqueçam as pesquisas: vivemos hoje num mundo em que a velocidade de mobilização é maior, mundo que independe do monopolizado canal.

Temer não sobrevive até o Carnaval, abandonado que será por todos os lados. Por mais que os tucanos (Serra, FHC) queiram aderir, o bom senso triunfará (como quando Collor. Então Covas, agora Geraldo o fusível moral). Uma eleição indireta virá com um Castelo Branco do mundo jurídico tomando o Executivo. A Redentora, como farsa.

Dilma vira uma mártir menor, uma criatura de medíocre irrelevância como é hoje FHC. Os partidos de esquerda, o movimento social e a juventude são gradualmente criminalizados, impedidos de atuar por um aparato jurídico que credencia quem pode ser candidato, quem pode falar. 64 em compotas no poder, parafraseando Brizola.

 

Se tomarmos a pílula vermelha… bem, creio que essa sequência de eventos abaixo foge ao que é escrito/esperado/dito por aí.

Lula e Renan fecharam um acordo. Dilma não é condenada. Dilma “reassume” (sob tutela, com Lula na Casa Civil – algum tipo de lobotomia para mantê-la quieta) e imediatamente convoca o Conselho da República e o Conselho de Defesa. O estado de sítio é decretado prontamente.

Um general de 4 estrelas é nomeado para a chefia da Polícia Federal, e esta e o MPU sofrem intervenção imediata (bem como os meios de comunicação de massa associados, aqueles envolvidos nos vazamentos). Os policiais/procuradores golpistas são presos por conspiração.

O Congresso aprova uma anistia para os detentores de mandato que eventualmente receberam recursos de caixa dois. Os réus confessos que se beneficiaram de delações premiadas tem seu benefício revogado. Os poderes do judiciário são reduzidos a partir daí. O eleitorado que julgue os políticos por meio do voto. O prestígio de Lula, o fiador perante a massa da Federação, garante que o mínimo de violência será necessário. Vargas-37, em suma.

 

Não há pílula cor-de-rosa

onde Dilma, a mulher, a honesta, volta à sua presidência e o mundo segue, bonitinho.

Não há pílula cor-de-rosa

onde o conjunto de funcionários “de estado” passa a fazer um “o certo” democrático, que atenda ao desenvolvimento nacional (seja lá que porra que esse delírio coxinha de um mundo sem política seja).

Não há pílula cor-de-rosa

onde faça-se uma nova eleição, faça-se de conta que nada aconteceu.

Não há pílula cor-de-rosa

que nos dê a paz.

 

Quando concebi esse cenário vermelho jamais imaginaria vê-lo aplicado noutro lugar. E eis que vem aquela mal executada tentativa de golpe na Turquia (como disse wildemente um amigo, sofrer um golpe de estado é um infortúnio; vencê-lo em 24h parece descuido). E eis que os golpistas tem uma relação com o Gülen, cujo movimento opera no mesmo nicho e nos mesmos ideais americanos de nossos jovens concursados do mundo jurídico. E o Sultão (lá a bandeira também é vermelha, também tem uma estrela no meio, mas ela não está sozinha) não vacila. You never let a serious crisis go to waste. And what I mean by that it’s an opportunity to do things you think you could not do before (a versão mais recente dessa frase, do Zé Dirceu de Obama). Como Vargas, 1937.

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